quarta-feira, dezembro 13

O Swing da Raposa

Alcântara é a musa deste blog, ou melhor dito, este blog nem existia sem Alcântara. Mas orgulho é ver que a terra do 'ex' por excelência - tem uma ex-tapada de caça, ex-fábrica da Regina, ex-FIL, ex-faculdade, ex-Hospitais Ultramarinos - teve sempre gente visionária, ainda que eventualmente por engano. Através do blog jnpdi descobri um pedaço de crónica do Aquilino Ribeiro, em 1926, para o semanário A Ilustração:

O jazz band costumava oferecer-se em espectáculo na feira de Alcântara, numa barraca de ripas e lona, miserável, rudimentar e cachaceiro. (...) Ninguém que se prezasse se dava ao desenfado de ir ouvir a música bárbara dos pretalhões e seus saracoteios obscenos. Não porque fosse interdita ao pudor; mas porque era apenas uma diversão sem graça nenhuma.

É de registar que, apesar do juízo de valor, o Aquilino até parecia saber o que era o jazz. No tempo dele não sei, mas hoje uma barraca de ripas e lona, e um espectáculo cachaceiro (bonito...), com a música bárbara dos pretalhões não me parece nada mal. Aparentemente Lisboa não recebeu tão bem o jazz como Paris, mas fico com o consolo que a Romaria de Santo Amaro em Alcântara fez o que pôde.

4 comentários:

Anónimo disse...

julguem-se os valores, no seu espaço e no seu tempo.

Le Fante disse...

combinado!

Gil Eanes disse...

Um alcantarense de gema fica de lagrimas nos olhos a ler isto...

Zèd disse...

Muito interessante este post. Confesso que não era bem esta a ideia que tinha, nem de Alcântara nem de Aquilino Ribeiro. Sempre a aprender. (quanto ao julgar as coisas no seu espaço e no seu tempo, o Portugal de 1926 já todos devemos ter julgado há muito tempo...)