sexta-feira, novembro 10

Sim, no que diz respeito à arte não gajo há mais reaccionário do que eu...


O senhor Pollock acordou estremunhado naquela manhã de 1948. Durante a noite, sonhou com amarelo. Era a cor que faltava ao seu quadro. Nem tomou o pequeno almoço. Olhou para a tela e acrescentou umas pinceladas. Magnífico. Chama-se "Número 5". Uns vêem ali dramatismo, intensidade, génio. Eu vejo a tela que o senhor Pollock usou para limpar os pincéis. Eu sou um reaccionário, claro, um homem das cavernas. Mas quando esta coisa se torna o quadro mais caro do mundo eu tenho o impulso imediato de achar que anda tudo maluco. Isto se se provar de que foi mesmo vendido por este preço, coisa que os media americanos ainda discutem. Ainda assim, bom proveito ao novo proprietário. Se não tiver onde gastar outros 109 milhões de euros, dê-me uma apitadela que eu faço-lhe um fresco...

2 comentários:

pedro figueiredo disse...

acho que o pollock nunca tocava na tela com os pince'is, fazia uma espe'cie de aspersa~o, mas com tinta em vez de a'gua benta.

os 109 milho~es sa~o privados. qto esta~o a gastar os pagadores de impostos em portugal com a colecc,a~o do berardo?

proletario disse...

Sem querer discutir o valor artístico da colecção do comendador Berardo, também não percebo como é que se lhe oferece metade do CCB e se lhe dá carta branca para fazer o que entender com o seu museu. Alias,este este artigo do DN dá azo a preocupaçao. Suspeito que, daqui a 10 anos (e depois de muitos milhões gastos pelo Estado) ainda vamos ter festa...