segunda-feira, novembro 6

Finalmente 2

Houve momentos no concerto do Chico Buarque em que se sentia o público respirar fundo. Sempre que ele se enganava na letra, no tempo, numa nota, sentíamos-lhe humanidade. Para quem toca viola e procura tocar Chico Buarque, cada um destes momentos é precioso.

Numa das canções, composta pelo baixista Jorge Hélder, o Chico Buarque torna-se especialmente humano. A música, conforme se confirma pelo DVD que acompanha o Carioca, é angustiante. É um exercício rebuscado de harmonia onde é quase impossível colocar-lhe uma melodia aceitável e ainda menos uma letra. A música é, para nós que procuramos tocar canções dos outros, um troféu apetecível. Mas nem é especialmente agradável ou bem conseguida, na minha opinião. É um tipo de canção que só dá gosto a quem a toca, visto que é harmonicamente engenhosa (acontece o mesmo com o Passarim, outro troféu de quem anda a esgravatar Tom Jobim). O Chico fê-lo (colocar-lhe melodia e letra) para histérico deleite do dito baixista. Pudera. No entanto, tudo aquilo é tão difícil, que o Chico Buarque apenas apoia as mãos na guitarra enquanto canta a música. Mais um momento precioso para estes mortais que o assistem. A canção, já agora, chama-se Bolero Blues.

1 comentário:

raquel disse...

reparaste na habilidade com que se manteve imóvel ao longo do concerto? é que nem o pezinho batia...