sexta-feira, setembro 1

Mas onde é que nós estamos?!

Quando um gajo pensa que vai entrar em Setembro descansado, sem sobressaltos, até porque já se viu de tudo, eis que é possível encontrar duas alimárias (esta e esta) que conseguem ter o que apontar ao Vasco Granja. E amargamente, o que torna tudo mais triste. Bom, que temos de argumento?: O Vasco era comuna! O sacana do Granja andava a esconder tudo o que era boneco do ocidente e a apresentar só animação checa, polaca, búlgara. Ah, vileza!

É claro que pessoas como o Luis Bonifácio rapidamente se aperceberam, do alto dos seus oito anos, que tudo aquilo "cheirava a saneamento" e logo se conseguiu que uns pais mais atentos exercessem uma gigantesca pressão para que o vermelho do Vasco fosse finalmente obrigado a transmitir Looney Tunes, Tex Avery ou a Pantera Cor-de-Rosa. Lixaram bem o gajo, o patife.

As mentes rebuscadas destes dois tipos não têm par. Só quem não viu o ar agastado e a voz trémula do Vasco Granja quando fez o programa após a morte do Mel Blanc pode atribuir qualquer tipo de segunda intenção à escolha dos alinhamentos que fazia. Vi praticamente tudo o que existe de Looney Tunes através do Vasco Granja e felizmente pude ainda ver a bonecada do resto do mundo. Alguns eram verdadeiras peças de terror, reconheço. Só que descobri, graças a ter existido um programa de autor de Animação, que havia mais do que um género de desenhos.

Foi bem levantada a lebre, no entanto. É que hoje sim, é impossível conseguir na televisão qualquer tipo de cinco minutos animados do leste da Europa, e não me quer parecer que os tenham deixado de fazer.

1 comentário:

Xerife disse...

Parabéns!
Estou completamente de acordo com o que foi escrito neste blog. Assistiu-se nos ultimos anos ao linchamento público, suavezinho, do Vasco Granja, sem que houvesse qualquer voz que se levantasse e enaltecesse a sua grande obra e o grande trabalho desenvolvido na divlgação da animação que se fazia por todo o mundo. Os mesmo que idolatram Corto Maltese ignoram quem lhes deu a conhecer o personagem e o seu autor. E, além de tudo, era das figuras mais simpáticas que apereceram na televisão, inesquecível para muitos, saneada pelos novos senhores, que reabilitam figuras sinistras do tempo a preto e branco.