quarta-feira, agosto 2

Smiths e Balalaika

Há mais bandas intocáveis nos anos 80 do que agora, talvez porque havia menos compartimentação de estilos, menos rádios, menos democracia na música, ser mais difícil ouvir um disco que acabou de sair naquela altura do que agora. Os Smiths e os Joy Division (e os Pixies se não tivessem regressado) gozam deste estatuto. A pessoa não é de bem caso não reconheça a importância e a qualidade superiores destas duas bandas, e de mais alguma meia dúzia que agora me escapará. Um pouco mais grave é que, nem de propósito nos tempos que correm, não é permitido humor à volta destas figuras, ou pelo menos eu não o vejo a acontecer. Talvez até faça algum sentido. Não é de bom tom brincar com desgraças.

Se houve quem nunca tenha levado a música a sério nos anos 80 (e nos seguintes), foi a RUC, responsável pela formação musical de toda a gente que se preze um mínimo na região Centro, quanto não seja neste princípio de que a música foi feita mais para ouvir que para salvar vidas ou para criar grupos de ajuda mútua à escala mundial. Talvez nem sequer a levassem suficientemente a sério (há limites para a estética), e de tal modo foi assim que, pegaram na - acredito que sentida e sincera- versão de conhecido tema dos Smiths pelos Ukrainians cantada na sua lingua-mãe e dela fizeram o hino dos "mas ainda alguém tem paciência para os Smiths?", clube de que este vosso podia ser fundador. Ainda assim, foi em 1993 que aparece a balalaika nos pesadelos de Morrissey, mas garanto que no ambiente rockabilly e dos sobretudos pretos da Figueira que ainda subsistia nessa altura, não era uma vida nada fácil.

The Ukrainians - Batyar (Bigmouth Strikes Again)
as restantes versões do EP do Smiths estão aqui.

2 comentários:

b-site disse...

Não conhecia isto e é uma surpresa saber que o Morrissey podia cantar em ucraniano mantendo o timbre e a sua peculiar forma de atacar as frases. Tenho para a troca, uma revelação: o Rui Reininho podia cantar em checo. Qualquer dia explico a coisa lá no meu blog. Para já é uma questão de fé. Mas acreditem, acreditem.

daniel

Inês S. disse...

? :)