quarta-feira, agosto 2

Profissão: Repórter


Em 1976, Jack Nicholson recebeu o Óscar de melhor interpretação pelo seu desempenho em Voando Sobre um Ninho de Cucos, talvez o seu papel mais emblemático no universo das representações "à Jack Nicholson", ou seja, indivíduos meio dementes, francamente maníacos, roçando até o louco furioso, mas com um charme que acaba por glorificar a loucura. Segundo a lenda, nesses filmes Jack Nicholson fazia de si próprio. No entanto, se justiça houvesse, teria ganho dois, juntando-lhe esta interpretação bastante atípica de um homem aborrecido com a vida, que deseja a mudança, sendo que esta acontece nas circunstâncias mais improváveis.

Já Maria Schneider, vedeta de ascensão meteórica devido a O Último Tango em Paris, no qual contracenou com Marlon Brando e um pacote de manteiga tem uma interpretação ambígua q.b. como uma rapariga que poderá fazer parte do passado da identidade de que Jack Nicholson se apropria (apesar do seu andar bastante masculino).

No entanto, a verdadeira estrela do filme é a câmara de Antonioni. Como se fosse um observador casual dos acontecimentos, frequentemente alheada da acção principal para se focar em detalhes da paisagem, dá azo a planos e movimentos fora do vulgar (acompanhando insectos que rastejam pela parede ou automóveis que passam antes de se fixar nas personagens, por exemplo), mas sobretudo devido ao prodigioso plano-sequência perto do final, o qual devia ser estudado em todas as escolas de cinema do mundo.

Definitivamente, uma obra-prima esquecida, actualmente em exibição no Nimas.

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