quarta-feira, agosto 9

le chic

Muito raramente acontece o Sr. Chico não estar a trabalhar desenfreadamente numa amêijoa, num bacalhau, num lavar de travessas. Mais raramente ainda entende que se pode sentar connosco e contar histórias antigas da Rua do Cruzeiro. É de uma raridade pelo menos semestral. Mas com uma capacidade de síntese completamente invulgar num dono de taberna conta-nos que junto ao seu estabelecimento encontramos um prédio comprado em 1958 por 3500 contos. Uma pechincha porque, garante, compraria na altura dez prédios daqueles, mas 'agora não, foda-se!'. Descubro ainda ter vivido num prédio, talvez o meu, um vencedor da Volta a Portugal, infelizmente não se lembrava o Chico do nome. Mas lembra-se de o ver já velhote a calcorrear as ruas de Alcântara na sua bicicleta. Acho isto impagável. Mas a cereja no bolo é a história de um leitaria em frente ao seu restaurante, propriedade de um adepto fervoroso do Belém. Pois garante-me o Chico que não havia semana em que não parasse por lá o Matateu, ao volante de um vistoso Cadillac, consumindo ao balcão os bagaços e cafés que entendia por bem. A Rua do Cruzeiro merece uma História muito bem escrita, e eu que fui tão bem adoptado, ainda hei-de tomar em mãos a tarefa.

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