Fui à Bwin ver como andam as apostas para os Oscars. Investir em Scorcese ou em Hellen Mirren é um investimento sem retorno, tal é o grau de favoritismo na corrida ao boneco dourado. O único gajo que dá algum guito é mesmo o Leonardo Di Caprio. 1/8 é a proporção de multiplicação de euros apostado no cavalheiro, bem longe dos 1/1,16 de Forest Whitaker, o ditador ugandês. Sei bem a urticária que o Di Caprio provoca, mas o homem não tem culpa de ter nascido com cara de menino. O Danny Archer que ele faz em Blood Diamond é um papel do caralho, num filme bastante recomendável, digo eu que já vou tarde para me livrar da fama de destruidor de toda e qualquer criação artística. Mais um papelão numa carreira com vários desempenhos brilhantes. É ele que carrega The Departed às costas e o The Aviator, um filme demasiado longo e chato, só é suportável poque ele faz um Howard Hughs magnético, num equilíbrio desconcertante entre a demência e o génio. Não vai ganhar, digo eu e diz a Bwin, mas o Oscar não lhe há-de fugir por muito mais tempo.
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segunda-feira, fevereiro 19
Leo 1/8
Fui à Bwin ver como andam as apostas para os Oscars. Investir em Scorcese ou em Hellen Mirren é um investimento sem retorno, tal é o grau de favoritismo na corrida ao boneco dourado. O único gajo que dá algum guito é mesmo o Leonardo Di Caprio. 1/8 é a proporção de multiplicação de euros apostado no cavalheiro, bem longe dos 1/1,16 de Forest Whitaker, o ditador ugandês. Sei bem a urticária que o Di Caprio provoca, mas o homem não tem culpa de ter nascido com cara de menino. O Danny Archer que ele faz em Blood Diamond é um papel do caralho, num filme bastante recomendável, digo eu que já vou tarde para me livrar da fama de destruidor de toda e qualquer criação artística. Mais um papelão numa carreira com vários desempenhos brilhantes. É ele que carrega The Departed às costas e o The Aviator, um filme demasiado longo e chato, só é suportável poque ele faz um Howard Hughs magnético, num equilíbrio desconcertante entre a demência e o génio. Não vai ganhar, digo eu e diz a Bwin, mas o Oscar não lhe há-de fugir por muito mais tempo.
segunda-feira, novembro 20
Departed
Breves notas sobre o filme de que se fala:1- The Departed (Entre Inimigos) é um bom filme, não é uma obra prima.
2- O grande papel é o de Leonardo DiCaprio. É um grande actor. Assim de repente, "O Aviador" e "Apanha-me se Puderes" já o tinham demonstrado. Sei que não o gajo não é consensual. A carinha laroca tem-no prejudicado mais do que ajudado. Mas o homem é o suporte emocional de toda esta fita. Matt Damon faz bem o seu cargo mas está longe de deslumbrar. Nicholson é excelente, como quase sempre.
3 - Mark Wahlberg, no papel do irrascível inspector Dignam, brilha durante todo o filme
4 - Aposto que é desta que Scorcese ganha um Óscar. O filme não merecia tanto, mas o homem já devia ter uma estatueta em casa
terça-feira, novembro 14
E se o Leonardo DiCaprio levasse uma carga de porrada?
A semana de temática masculina no mundo pachanga levanta um ponto interessante: o filme para gajos. Sendo verdade que a violência como um fim é inerentemente realizada (e, na maioria das vezes, interpretada) por homens - pense-se nos Operação Delta de Chuck Norris ou nos Van Dammes, a violência como um meio não é, curiosamente, exclusiva dos homens. A pacharita avança com Scorsese que, por acaso, é capaz de fazer um drama de gajas como A Idade da Inocência ou um biopic acerca da figura espiritual como o Dalai Lama em Kundun ao mesmo tempo que nos oferece histórias másculas e viris cheias de fogareiros, pugilistas ou mafiosos, todos eles desequilibrados e numa espiral de auto-destruição (que, já agora, nem sempre precisam da ajuda de mulheres voluptuosas. Conseguem, e bem, fazê-lo sozinhos).
Ora como dizia, a violência como um meio não é exclusiva de realizadores masculinos. O American Psycho, ícone dos anos 80 que levou as descrições gore até ao mainstream, de onde nunca mais saíram até aos dias de hoje, foi adaptado ao cinema por uma mulher. O macabro deixou de ser um bastião da masculinidade.
Talvez a única grande diferença, aquilo que ainda falta a uma realizadora, é precisamente algo que é brevemente referido nesse post: a capacidade de mostrar os seus heróis (ou anti-heróis) desfigurados. Não falo das personagens secundárias, mas sim dos verdadeiros protagonistas. Nunca uma mulher conseguiria pôr o Jack Nicholson com o nariz cortado durante metade do filme como o Roman Polanski lhe fez no Chinatown, por exemplo. É aí que está, talvez, a última réstia de virilidade no cinema de hoje.
Ora como dizia, a violência como um meio não é exclusiva de realizadores masculinos. O American Psycho, ícone dos anos 80 que levou as descrições gore até ao mainstream, de onde nunca mais saíram até aos dias de hoje, foi adaptado ao cinema por uma mulher. O macabro deixou de ser um bastião da masculinidade.
Talvez a única grande diferença, aquilo que ainda falta a uma realizadora, é precisamente algo que é brevemente referido nesse post: a capacidade de mostrar os seus heróis (ou anti-heróis) desfigurados. Não falo das personagens secundárias, mas sim dos verdadeiros protagonistas. Nunca uma mulher conseguiria pôr o Jack Nicholson com o nariz cortado durante metade do filme como o Roman Polanski lhe fez no Chinatown, por exemplo. É aí que está, talvez, a última réstia de virilidade no cinema de hoje.
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