World Science Festival 2009: Snowball, the Dancing Cockatoo from World Science Festival on Vimeo.
sexta-feira, novembro 20
sexta-feira, novembro 2
Meus caros, eu vi a "Corrupção"
... e posso confirmar que é a coisa mais feia a 2 dimensões em que pus a vista em cima nos últimos tempos e isso inclui a colonoscopia do meu vizinho da cave esquerda. Não perguntem porque raio visionei tal exame médico pois não vim aqui falar de cinema documental mas sim do futuro do cinema comercial em Portugal segundo o senhor Alexandre Valente. E esse futuro, meus amigos, é negro… Mais negro que o ânus do Sr. Neves, um homem com graves problemas no terço inferior do intestino.
Antes de mais merdas, passo a explicar que decidi ir ver o filme (em tão infame quanto arrependido desrespeito pelas sensatas recomendações d’ A Esposa) pois mantenho uma pontinha de admiração pelo Sr. João Botelho desde que vi o “Aqui na Terra” há muito, muito tempo, apesar da basta porcaria que ele vem fazendo mais actualmente. Admito também que, num momento de fraqueza, a operação de marketing/polémica/publicidade montada pelo produtor tenha penetrado o meu cérebro através de um qualquer soft spot ainda não identificado mas que desconfio se chama “mamas”.
Enfim, lá fui e o que vi é francamente mau. E o Sr. Botelho não fica menos mal na fotografia por ter tirado o seu nome daquele monte de esterco à última hora, quando a coisa já fedia o suficiente para intoxicar um exército de terracota. Se a montagem é um nojo, a iluminação um nojo é, a direcção de actores uma fantochada, os enquadramentos uma piada, os cenários primários, os diálogos pouco mais que palavrões intercalados com proposições, o enredo é um ultraje à inteligência de uma criança de 10 anos, raccord não existe, talento nem se fala, a arte não mora aqui e mesmo o simples entretenimento não é visto nem achado.
Aqui ficam dois exemplos da mais pura e boçal imbecilidade, que são, penso eu, da inteira responsabilidade do realizador que não o é: (1) para simular os devaneios paranóicos e depressivos de Sofia (Margarida Villas-Boas/Carolina Salgado) a genial realização coloca umas mãos à frente de um holofote a fazer sombras chinesas (ou seriam efeitos especiais computorizados?) sobre a cara da actriz, que se contorce, geme, esbugalha os olhos, sem nunca descurar a boquinha de broche que marca as suas carreiras (a da Margarida e a da alternadeira; aliás, numa coisa seja feita justiça: elas estão bem uma para a outra); (2) para ilustrar um salto de cerca de 6 meses na narrativa, a realização opta pelo originalíssimo recurso de filmar em grande plano um calendário do qual se arrancam folhas e ao qual depois alguém atira um balde de água para simbolizar a chegada do Inverno. Brilhante!
Com Inverno ou sem Inverno, o descontentamento era patente na fronha de todos quantos levantavam os rabos dos confortáveis (valha-nos isso!) assentos do Londres. Pelo que me toca, rezo a todos os santinhos para que iluminem a inteligência dos portuguesas com uma lâmpada de mais watts do que aquela que me dispensaram ontem à noite, para que o fiasco financeiro seja grande e fundo, para que o Sr. Valente perca logo a casa no Alentejo que hipotecou para produzir aquele aborto. Merece isso, muito mais e pior.
Por último, uma razão para não chorar. Do mal o menos: não há dinheiros públicos investidos nesta coisa a que chamaram filme… Só o dinheiro particular de papalvos como eu.
Antes de mais merdas, passo a explicar que decidi ir ver o filme (em tão infame quanto arrependido desrespeito pelas sensatas recomendações d’ A Esposa) pois mantenho uma pontinha de admiração pelo Sr. João Botelho desde que vi o “Aqui na Terra” há muito, muito tempo, apesar da basta porcaria que ele vem fazendo mais actualmente. Admito também que, num momento de fraqueza, a operação de marketing/polémica/publicidade montada pelo produtor tenha penetrado o meu cérebro através de um qualquer soft spot ainda não identificado mas que desconfio se chama “mamas”.
Enfim, lá fui e o que vi é francamente mau. E o Sr. Botelho não fica menos mal na fotografia por ter tirado o seu nome daquele monte de esterco à última hora, quando a coisa já fedia o suficiente para intoxicar um exército de terracota. Se a montagem é um nojo, a iluminação um nojo é, a direcção de actores uma fantochada, os enquadramentos uma piada, os cenários primários, os diálogos pouco mais que palavrões intercalados com proposições, o enredo é um ultraje à inteligência de uma criança de 10 anos, raccord não existe, talento nem se fala, a arte não mora aqui e mesmo o simples entretenimento não é visto nem achado.
Aqui ficam dois exemplos da mais pura e boçal imbecilidade, que são, penso eu, da inteira responsabilidade do realizador que não o é: (1) para simular os devaneios paranóicos e depressivos de Sofia (Margarida Villas-Boas/Carolina Salgado) a genial realização coloca umas mãos à frente de um holofote a fazer sombras chinesas (ou seriam efeitos especiais computorizados?) sobre a cara da actriz, que se contorce, geme, esbugalha os olhos, sem nunca descurar a boquinha de broche que marca as suas carreiras (a da Margarida e a da alternadeira; aliás, numa coisa seja feita justiça: elas estão bem uma para a outra); (2) para ilustrar um salto de cerca de 6 meses na narrativa, a realização opta pelo originalíssimo recurso de filmar em grande plano um calendário do qual se arrancam folhas e ao qual depois alguém atira um balde de água para simbolizar a chegada do Inverno. Brilhante!
Com Inverno ou sem Inverno, o descontentamento era patente na fronha de todos quantos levantavam os rabos dos confortáveis (valha-nos isso!) assentos do Londres. Pelo que me toca, rezo a todos os santinhos para que iluminem a inteligência dos portuguesas com uma lâmpada de mais watts do que aquela que me dispensaram ontem à noite, para que o fiasco financeiro seja grande e fundo, para que o Sr. Valente perca logo a casa no Alentejo que hipotecou para produzir aquele aborto. Merece isso, muito mais e pior.
Por último, uma razão para não chorar. Do mal o menos: não há dinheiros públicos investidos nesta coisa a que chamaram filme… Só o dinheiro particular de papalvos como eu.
segunda-feira, outubro 29
Nós os pequeninos em bicos dos pés
Esse senhor que assina maradona e que apaga toda a memória dos seus escritos de 8 em 8 dias - qual Santa-Rita Pintor dos tempos modernos - resolveu mudar a morada do seu muy distinto blog. É um atrevimento que uma taberna deste calibre anuncie desta forma despudorada a mudança de instalações de um restaurante de luxo. Mas enfim, cada um faz a sua parte. Vão lá então ver as flores abichanadas de The Case is Altered, mas em português primaveril.
quinta-feira, outubro 18
sexta-feira, outubro 12
É uma atleta portuguesa com certeza...

"Telma Monteiro, vice-campeã do Mundo de judo em -52 Kg, vai experimentar ainda esta época a categoria de -57 Kg, "para não ter de andar a perder peso", no Campeonato Europeu Sub-23, na Áustria, e noutra prova no Japão.
"Só depois dos Jogos Olímpicos de Pequim2008 é que devo passar para a categoria acima, mas agora, para não ter de andar a perder peso, vou competir em -57 Kg", disse a judoca de 21 anos, bicampeã da Europa.
"A atleta da Margem Sul do Rio Tejo, além da prova sub-23 agendada para entre 23 e 25 de Novembro na cidade austríaca de Salzburgo, vai igualmente combater em -57 Kg na prestigiada Taça Kano, por convite da organização, entre 07 e 09 de Dezembro, em Tóquio.
"Tenho vindo a sentir o interesse das pessoas, que querem saber mais de mim, não só como judoca, mas também como pessoa. Estou muito contente e orgulhosa com esta nova forma de as pessoas ficarem mais perto de mim", disse Telma Monteiro, após inaugurar o seu sítio pessoal na Internet, numa cerimónia na Culturgest, em Lisboa.
Telma Monteiro, que participará ainda nos campeonatos nacionais por equipas a 21 de Outubro, em Coimbra, vai voltar depois aos -52 Kg, preparando o Europeu Lisboa2008, agendado para entre 11 e 13 de Abril, e os Jogos Olímpicos Pequim2008, em Agosto." (Gamado da Lusa)
A língua de Caetano
O Carlos Vaz Marques entrevista como poucos. Melhor ainda, tem o talento de encontrar os convidados que merecem ser convidados. Ontem ouvi a conversa com o Caetano. Ainda não está disponível aqui, mas há-de estar em breve. Às tantas, Caetano é provocado sobre a língua. Pergunta-lhe o Vaz porque é que ele uma vez disse que o português é um guetto. E o Baiano, que quer ser de todas as partes e que não tem medo de ser o cagão que é, diz-lhe - não exactamente com estas palavras - que a língua portuguesa não é conhecida, que a cultura em português não é divulgada o suficiente, que a maioria dos cidadãos da bola azul não sabem nem querem saber o que é isso de ser português. O Caetano diz que ama a sua língua - porque foi a primeira que aprendeu - mas que adorava ser capaz de ter a mesma intimidade noutras línguas. E o Vaz puxa da prosápia gasta da lusofonia e da originalidade do português e desvia a conversa no ponto em que o Caetano tocou numa ferida. O ser português não é assim tão divertido a toda a hora. E agora vou cantar o hino nacional para me redimir disto...
domingo, setembro 30
White Chalk

A menina/senhora Polly Jean tem um disco novo. Lê-se no Expresso uma entrevista com a rapariga/adulta - e quando um gajo dá por si a ler estas coisas no Expresso fica a achar porque é que eu estou a ler isto no Expresso ou porra andas mesmo a dormir ou não?. Atalhemos, a menina explica porque é que resolveu gravar um disco ao piano. Porque podia. Porque lhe apeteceu. Porque toca melhor piano, mesmo sem tocar nada por aí além, do que quem quer tocar piano por querer tocar por aí adiante. A chavala decidiu que a voz é para isso tudo que a voz possibilita. Estica-se. Encolhe-se. Faz o que lhe apetece e em coro consigo própria, o que deve ser melhor que qualquer forma de masturbação física. O disco não têm a crueza da Polly. Não tem as unhas na ardósia. Mas tem tudo o que é preciso quando é preciso fazer as pazes com o mundo. Irrepreensível. E agora, se não se importam, vou dormir. E ouvir "When under ether", que me diz um desses sites que diz que a net tem que foi composta em 1988, ainda a rapariga achava que ser feia é uma atitude do caralho. Até logo.
quarta-feira, setembro 26
Vindaloo de Bife

Dos lugares onde menos esperaria encontrar um talho seria no interior rural da Índia, a duzentros metros de um templo hindu e ainda menos a céu aberto,
com a pérola de ao centro ter uma imagem de Ganesha, uma das figuras mais sagradas para um Hindu.
Mais fotos aqui.
terça-feira, setembro 25
O pequeno lapso do Sr. Ahmadinejad
segunda-feira, setembro 24
Capacete do cacete

O 534º filme português com a dupla Samora-Lencastre (sendo que a senhora consegue aqui um marco na sua carreira, ao vestir a pele de uma personagem descrita no genérico como "professora gaga") até arranca bem. Há uns putos que dizem caralhadas quando é suposto os putos dizerem caralhadas, há personagens até razoavelmente credíveis e diálogos que não soam a falso. Falta é, como sempre, uma história com princípio, meio e fim. Há princípio, talvez haja meio, não há fim. Começa-se uma história e depois filmam-se uns planos supostamente arrojados e originais para dizer coisa nenhuma. No fim, há fogo de artifício. O capacete não chega a ser mau filme. Pena é que não seja bom.
sexta-feira, setembro 21
Gás nas águas
Acho que tem faltado aqui ao Pitau alguma crítica real, estruturada e sólida, por isso decidi falar sobre águas com gás. Como saberão, há águas naturalmente ou artificialmente gaseificadas, quase todas provenientes de zonas em que há instâncias termais. Agrada-me profundamente as naturalmente gaseificadas como a Água das Pedras, Vidago e afins. Não posso negar também em que há dias em que preciso de uma Vimeiro ou Perrier, para arrotar logo metade da ressaca ao primeiro golo. Com uma naturalmente gaseificada isso só acontece no final do primeiro litro o que é chato para a bexiga nas horas seguintes. Sou portanto um apreciador das qualidades terapêuticas das águas com bolhas lá dentro.Entretanto o mercado das águas decidiu mandar dinheiro fora em publicidade para vender mais uns litros e começou a inventar sabores e insignificantes diferenças entre vários tipos de água engarrafada da mesma fonte, a coisa chegou cá, encheu autocarros e mobiliários urbanos e eu não me disse nada a ninguém sobre a parvoíce que me parecia uma água com sabor a Coca-Cola. Ri-me, comentou-se em noites de copos e a coisa passou. No entanto os génios do Marketing não souberam parar e inventaram a água mais parva do mundo que consiste em pegar numa água com gás e meter-lhe apenas um bocadinho de gás carbónico. É uma espécie de misto entre água lisa e água acabada de abanar por um elefante drogado com cafeína mas com bolhas mais finas e constantes. Não sabe a água natural porque o sabor do gás está presente, mas também não é uma água com gás porque não se sente a pressão do ar na água. Junta portanto o pior dos dois mundos, se é que isto se pode dizer em relação à água, esse liquido vital para a nossa subsistência como seres vivos.
Finalizando, sempre que vos derem uma água com gás cujo rótulo não conheçam, leiam bem o que lá está escrito porque "ligeiramente gaseificada" significa que vão pagar por uma experiência que supostamente só os vossos bisnetos irão ter raramente, quando o ar e a água forem tão raros que já ninguém saiba o que é aquela sensação no interior da barriga depois de um golo inteiro de uma Água das Pedras bem fresca, dois minutos depois de acordar, ainda a cheirar ao álcool do dia anterior.
sexta-feira, setembro 14
E a bola pá?
Como sempre nestas ocasiões, montou-se um tribunal para condenar o sr Luís Filipe pelo seu não murro - um golpe ridículo que valeria mil gargalhadas em qualquer ringue decente. O homem é mas é um génio. À pala do seu gesto fútil, toda a gente se esqueceu de discutir o essencial - há três jogos que a equipa que ficou em quarto lugar no mundial não joga um caralho, ainda por cima contra adversários razoáveis, sofríveis e medíocres. Ninguém perguntou ao Sr. Luis como é que se joga com três médios ala a tentar perceber em que flanco é que devem correr afinal e sem ponta de lança. Nem se explicou em que raio de caralho estaria o Deco a pensar o jogo todo - a minha explicação é a de que, pelos passes que se viram, devia estar a pensar na obra arquitectónica do Gaudi. Já temos novela para o próximo mês. Não temos é bola.E não me venham com histórias de contas. É ganhar e acabou.
quinta-feira, setembro 13
terça-feira, setembro 11
De volta à festa
Tinha que ser um motivo maior a trazer-me de volta. Nao quero entrar em discussoes ou discordar de queridos vizinhos porque as coisas sao como sao. O desporto tem coisas que nos une, outras que nos afasta.
Também evito discussoes sobre patriotismos, momentaneos ou perenes, bacocos ou sentimentalistas, se o hino é bonito ou belicista.
Depois de ver a forma como se cantou o hino antes do jogo Portugal - Escocia, onde estavamos condenados e fomos efectivamente massacrados, penso que os que o cantaram, entre os quais há ao menos um vizinho de Alcântara, sao outros como nós, empresários, jornalistas, estudantes, whatever, que fazem algo por gosto (desporto, música, coleccionismo) e que tiveram a sorte de lhes tocar jogar um mundial.
Mais que emoçoes, patriotismos, opinioes, desejos de vitoria, o que eu senti ao ver isto foi mesmo inveja...
Também evito discussoes sobre patriotismos, momentaneos ou perenes, bacocos ou sentimentalistas, se o hino é bonito ou belicista.
Depois de ver a forma como se cantou o hino antes do jogo Portugal - Escocia, onde estavamos condenados e fomos efectivamente massacrados, penso que os que o cantaram, entre os quais há ao menos um vizinho de Alcântara, sao outros como nós, empresários, jornalistas, estudantes, whatever, que fazem algo por gosto (desporto, música, coleccionismo) e que tiveram a sorte de lhes tocar jogar um mundial.
Mais que emoçoes, patriotismos, opinioes, desejos de vitoria, o que eu senti ao ver isto foi mesmo inveja...
domingo, setembro 2
Por falar em leis estúpidas
Soube no outro dia que os operacionais da GNR são responsáveis por todo e qualquer dano causado no material que lhes é atribuído no exercício das suas funções. Soube, por discurso directo, de um soldado que foi responsabilizado financeiramente pelo dano causado na sua viatura de serviço enquanto prendia e nela introduzia um criminoso. Este, justamente indignado com o trabalho da autoridade, pontapeou a porta do carro e quem pagou o estrago foi o Sr. Guarda. Soube inclusive que, caso a referida viatura seja alvejada em tiroteio com bandidagem, quem banca o arranjo dos orifícios na chapa é também o Sr. Guarda.
Confesso que ainda estou incrédulo. Se isto for verdade, compreendo, aceito e até simpatizo com a famosa inépcia dos homens da farda verde, da pança e do bigode. Mais vale gastar dinheiro em tremoços e imperiais do que pagar as asneiras dos outros. Se isto não for verdade, alguém que me desminta, se faz favor, que eu muito lhe agradeço. O que mais quero é poder voltar a insultar os campeões nacionais do mau colesterol. Entre uma imperial e um tremoço e de consciência tranquila.
Confesso que ainda estou incrédulo. Se isto for verdade, compreendo, aceito e até simpatizo com a famosa inépcia dos homens da farda verde, da pança e do bigode. Mais vale gastar dinheiro em tremoços e imperiais do que pagar as asneiras dos outros. Se isto não for verdade, alguém que me desminta, se faz favor, que eu muito lhe agradeço. O que mais quero é poder voltar a insultar os campeões nacionais do mau colesterol. Entre uma imperial e um tremoço e de consciência tranquila.
sábado, setembro 1
Já agora, Foucault também discordou.
Volto à triste história da seara de milho, dos potencialmente perigosos transgénicos e dos seguramente retardados activistas. Não para discordar destas infelizes declarações de Miguel Portas. Já muitos o fizeram - e bem! - e até o próprio já se retratou - e bem!
Volto a essa história porque ela é de facto muito mais que um fait-diver. Toca várias cordas, faz tanger muitas problemáticas, cruza as tortas linhas da política, da ética e do direito. Até a ciência é chamada ao barulho! E quando lhe perguntamos: "Como é? Os alimentos geneticamente modificados são perigosos para o ser humano?" A resposta é um tímido: "Não sei."
Volto, dizia, porque o assunto me fez discordar doutro homem com quem costumo partilhar opiniões. Refiro-me a Noam Chomsky. Num curioso diálogo com Michel Foucault, cada um na sua língua, ocorrido em 1971 e publicado na edição de Agosto do Le Monde Diplomatique, o linguista americano diz o seguinte: "A desobediência civil implica um desafio directo àquilo que o Estado pretende, a meu ver ilegitimamente, que seja a lei. (...) Executar uma acção que impeça que o Estado cometa crimes é em qualquer instância justo(...)".
Não! Errado! Se, numa democracia, as leis emanadas de uma assembleia do povo eleita por este, de um governo mandatado por sufrágio universal e até de um referendo por voto directo não têm legitimidade, o que as terá? Até ver, não há forma mais justa de decidir sobre o que é ou não permitido. Quem seria o juiz dos tais crimes que justificariam acções violentas, desobediências civis e por aí fora? A consciência de cada um?
Bem se vê que por aí não vamos muito longe. Como já comentei com alguém, isso seria aprovar que uma beata ultra-católica entrasse por um hospital ou maternidade adentro, disparasse para a sala de operações onde decorria um aborto, esmurrasse o médico que o praticava e prosseguisse para esbofetear a mulher que decidiu pela interrupção voluntária da sua gravidez, legal por referendo mas considerada pela beata um crime. Logo, justíssimo impedi-lo.
Há leis injustas, estúpidas e até, em algumas ordens jurídicas, criminosas. É um facto. Mas, se vivemos em democracia e num estado de direito, há que combatê-las nos locais e pelos meios apropriados. Não é espezinhando vegetais. Que lá por não saberem exprimir-se muito bem em sociedade não são propriamente agentes mudos do poder autista do Estado.
Volto a essa história porque ela é de facto muito mais que um fait-diver. Toca várias cordas, faz tanger muitas problemáticas, cruza as tortas linhas da política, da ética e do direito. Até a ciência é chamada ao barulho! E quando lhe perguntamos: "Como é? Os alimentos geneticamente modificados são perigosos para o ser humano?" A resposta é um tímido: "Não sei."
Volto, dizia, porque o assunto me fez discordar doutro homem com quem costumo partilhar opiniões. Refiro-me a Noam Chomsky. Num curioso diálogo com Michel Foucault, cada um na sua língua, ocorrido em 1971 e publicado na edição de Agosto do Le Monde Diplomatique, o linguista americano diz o seguinte: "A desobediência civil implica um desafio directo àquilo que o Estado pretende, a meu ver ilegitimamente, que seja a lei. (...) Executar uma acção que impeça que o Estado cometa crimes é em qualquer instância justo(...)".
Não! Errado! Se, numa democracia, as leis emanadas de uma assembleia do povo eleita por este, de um governo mandatado por sufrágio universal e até de um referendo por voto directo não têm legitimidade, o que as terá? Até ver, não há forma mais justa de decidir sobre o que é ou não permitido. Quem seria o juiz dos tais crimes que justificariam acções violentas, desobediências civis e por aí fora? A consciência de cada um?
Bem se vê que por aí não vamos muito longe. Como já comentei com alguém, isso seria aprovar que uma beata ultra-católica entrasse por um hospital ou maternidade adentro, disparasse para a sala de operações onde decorria um aborto, esmurrasse o médico que o praticava e prosseguisse para esbofetear a mulher que decidiu pela interrupção voluntária da sua gravidez, legal por referendo mas considerada pela beata um crime. Logo, justíssimo impedi-lo.
Há leis injustas, estúpidas e até, em algumas ordens jurídicas, criminosas. É um facto. Mas, se vivemos em democracia e num estado de direito, há que combatê-las nos locais e pelos meios apropriados. Não é espezinhando vegetais. Que lá por não saberem exprimir-se muito bem em sociedade não são propriamente agentes mudos do poder autista do Estado.
quinta-feira, agosto 30
Well...fuck it, ou memórias que o moinho já não traz de volta
O zimgalabum quer fazer um pisci-editora. Que raio de ideia, rantanzulian, já devias ter idade para ter zicróbios. Mas não, o tingalim insiste. Convencê-lo-emos à força de mil escravos frictantes em plainas de azul. Havemos de calá-lo, o bardo, usando tão só e singelamente o método científico. Desiluda-se meu caro logo no
I Acto:
O banco escreveu-me uma carta.
- Há quanto tempo não te sentas aqui?
E eu embasbacado entre o rudovalho e a aspirina ousei responder
- Amanhã terás o teu formulário
E assim, entre campos de papoilas e sandes de atum fizemos um hino à nitroglicerina. Rimava com Bum, mas nem assim me deixavam de nos morder os calos.
- Quem sabe, meu General, a batalha pudesse ter sido ganha se houvesse outra disposição…
- De flancos?
- De disposições meu senhor.
- E o vinho do Porto?
- Não se fazem novelos com lã de cetim.
E não, não se faziam. Nem fariam. Uma ovelha é, talvez, demasiado preciosa para se perder em festas de gala. Os tenebrosos açambarcadores de gasolina já se tinham apercebido disso, meses antes. Esfregavam os pistões como lagostas em brasa ao pôr do Sol. Ouviam canções da frente e sonhavam com a retaguarda.
Os carvalhos nunca eram chamados a opinar. Melancólicos demais para ser úteis nesta ocasião, dizia o velho avô enquanto cofiava as longas barbas. O rudovalho, claro, não se resignava. Não se faz de um homem peixe um bacalhau de humores para isto. O Coronel ficava impassível. Cospia para as palmas dos pés com a mesma desfaçatez com que comia a galinha velha.
E que mal tinha ela feito?
Escrever uma carta, assim ousada, em tempo de guerra.
- A ousadia tem um lugar, este não é esse certamente - a professora de música tinha sempre este talento da inconveniência, mesmo perante as portas de vidro do metro que lhe recusavam a passagem perante o bilhete fora de prazo de validade, como se fosse uma lata de atum,
- Outra vez eu trazido para a história? - reclamava, e com razão, o petisco da atonina algarvia.
- Talvez fosse melhor jogarmos às cartas.
E assim, no salão ao pôr-do-sol, agora sim com hifens, jogámos a paz e a guerra em soldadinhos de chumbo.
Amiantámo-nos uns aos outros.
E o dia amanheceu em paz.
Ps: o rudovalho queixou-se. Ouviremos o rodovalho, porque um peixe-chato tem de mesmo de ser ouvido por um amigo do oceanário: http://www.oceanario.pt/SITE/ol_especie_01.asp?especieid=363
O rodovalho é um peixe-chato cujo corpo sofre transformações significativas, até adquirir o aspecto típico deste grupo de peixes. Assim, enquanto larva, vive na coluna de água e tem o corpo simétrico, com um olho de cada lado. Depois, à medida que se desenvolve, o olho direito migra para o lado esquerdo do corpo, que sofre uma compressão lateral acentuada, até ficar plano. Estas modificações resultam numa extraordinária adaptação à vida no fundo, onde permanece semi-enterrado na areia, com o lado esquerdo virado para cima. Aqui, perfeitamente camuflado, consegue ver sem ser visto...
I Acto:
O banco escreveu-me uma carta.
- Há quanto tempo não te sentas aqui?
E eu embasbacado entre o rudovalho e a aspirina ousei responder
- Amanhã terás o teu formulário
E assim, entre campos de papoilas e sandes de atum fizemos um hino à nitroglicerina. Rimava com Bum, mas nem assim me deixavam de nos morder os calos.
- Quem sabe, meu General, a batalha pudesse ter sido ganha se houvesse outra disposição…
- De flancos?
- De disposições meu senhor.
- E o vinho do Porto?
- Não se fazem novelos com lã de cetim.
E não, não se faziam. Nem fariam. Uma ovelha é, talvez, demasiado preciosa para se perder em festas de gala. Os tenebrosos açambarcadores de gasolina já se tinham apercebido disso, meses antes. Esfregavam os pistões como lagostas em brasa ao pôr do Sol. Ouviam canções da frente e sonhavam com a retaguarda.
Os carvalhos nunca eram chamados a opinar. Melancólicos demais para ser úteis nesta ocasião, dizia o velho avô enquanto cofiava as longas barbas. O rudovalho, claro, não se resignava. Não se faz de um homem peixe um bacalhau de humores para isto. O Coronel ficava impassível. Cospia para as palmas dos pés com a mesma desfaçatez com que comia a galinha velha.
E que mal tinha ela feito?
Escrever uma carta, assim ousada, em tempo de guerra.
- A ousadia tem um lugar, este não é esse certamente - a professora de música tinha sempre este talento da inconveniência, mesmo perante as portas de vidro do metro que lhe recusavam a passagem perante o bilhete fora de prazo de validade, como se fosse uma lata de atum,
- Outra vez eu trazido para a história? - reclamava, e com razão, o petisco da atonina algarvia.
- Talvez fosse melhor jogarmos às cartas.
E assim, no salão ao pôr-do-sol, agora sim com hifens, jogámos a paz e a guerra em soldadinhos de chumbo.
Amiantámo-nos uns aos outros.
E o dia amanheceu em paz.
Ps: o rudovalho queixou-se. Ouviremos o rodovalho, porque um peixe-chato tem de mesmo de ser ouvido por um amigo do oceanário: http://www.oceanario.pt/SITE/ol_especie_01.asp?especieid=363
O rodovalho é um peixe-chato cujo corpo sofre transformações significativas, até adquirir o aspecto típico deste grupo de peixes. Assim, enquanto larva, vive na coluna de água e tem o corpo simétrico, com um olho de cada lado. Depois, à medida que se desenvolve, o olho direito migra para o lado esquerdo do corpo, que sofre uma compressão lateral acentuada, até ficar plano. Estas modificações resultam numa extraordinária adaptação à vida no fundo, onde permanece semi-enterrado na areia, com o lado esquerdo virado para cima. Aqui, perfeitamente camuflado, consegue ver sem ser visto...
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